sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Os formatos e as metodologias do futuro -"NO MUNDO DOS JETSONS" ?


16.dezembro.2012 15:43:02

Os formatos e as metodologias do futuro



Como serão as aulas do futuro? Semipresenciais? Síncronas? Online? Socráticas? Com o uso de simuladores? Haverá um pouco de tudo. Mas o mais importante é que o formato do conteúdo e a sua metodologia pedagógica serão adaptados às preferências de aprendizado de cada aluno.
Algumas escolas mais modernas já começam a estabelecer grupos de discussão para debater sobre como deverá ocorrer a troca de conhecimento entre professores e alunos com a adoção das novas tecnologias educativas que invadirão nossos lares e escolas nos próximos anos. Que conteúdo será lecionado em que formato? Para quais tipos de matéria vale a pena usar um tablet? Quais matérias serão mais bem compreendidas se aprendidas através de um videogame? Isso tudo estará na mesa do educador consciente.
Pesquisas demonstram que, até o ano de 1990, os adultos norte-americanos conseguiam concentrar-se por até 18 minutos em uma pessoa falando ininterruptamente. Entre 1990 e o ano 2000, este tempo caiu para aproximadamente 12 minutos e atualmente esta tolerância encontra-se em apenas 8 minutos.
Na média, a partir deste oitavo minuto, a audiência começa a verificar seus celulares e computadores (inclusive para procurar mais informações sobre o que está sendo exposto). Desconheço quais serão os tempos de tolerância de crianças e adolescentes.
Essa questão sempre foi um problema, pois as aulas sempre tiveram mais de 18 minutos. Issac Newton, por exemplo, há muitos séculos atrás, já era conhecido por de vez em quanto começar uma aula com 20 alunos e terminar a mesma com a sala vazia.
Lembro-me muito bem de uma aula de Direito Societário, na faculdade, há muitos anos, onde numa determinada noite, 100% dos alunos dormiu enquanto o professor lecionava. Segundo uma testemunha que passava (eu estava dormindo), ele ficou sem graça, mas continuou sua palestra (talvez se inspirando em figuras como Isaac Newton).
A questão é que com o futuro fim da obrigatoriedade da presença física para a realização da troca de conhecimento, muitos canais de aprendizado (antigos e novos) se abrem para esta finalidade. Tenho testado alguns em minhas aulas de pós-graduação:
Aulas síncronas presenciais com a presença de convidados síncronos online; debates assíncronos online com foros baseados em texto, vídeos e áudios; simuladores que misturam decisões coletivas síncronas presenciais (ou online) com vídeos gravados a priori (assíncronos). Muitas combinações de ferramentas pedagógicas passam a ser possíveis.

  http://blogs.estadao.com.br/a-educacao-no-seculo-21/


domingo, 23 de dezembro de 2012

NATAL É NATAL - LUIZA PINTO MOURA





Natal não é somente presentes,
Não é somente uma cara bonita,
Uma roupa nova ou velha

Natal é o irmão menos favorecido
Que bate a sua porta
Pedindo um pedaço de pão


Natal não é somente uma árvore
 Enfeitada com bolas coloridas, com luzes piscando
Ou uma alma vazia, vestida de Papai Noel

Natal é o nascimento do Cristo Jesus
Que a milhares de anos nasceu numa manjedoura
E hoje pede abrigo em nossos corações

Natal é a união da humanidade
Em grande sintonia fazendo uma oração
Ao Deus Pai para que sejamos somente Cristãos
.
(Luiza Pinto Moura, dezembro, 2012)


Feliz natal e um ano novo cheio de bençãos e realizações!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PASSEIO SOCRÁTICO - FREI BETO



Recebi por E-mail difícil não querer divulgar...
Reflexão e atitude!

 Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 
Qual dos dois modelos produz felicidade?

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:
-Não foi à aula? Ela respondeu: 
-Não, tenho aula à tarde. Comemorei:
-Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde.
-Não, retrucou ela, tenho tanta coisa de manhã....
-Que tanta coisa?, perguntei.
-Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina, e começou a elencar seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando:
-Que pena, a Daniela não disse: -Tenho aula de meditação!

Estamos construindo super-homens e super-mulheres, 
totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. 

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis
livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de
ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas
me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 
Como estava o defunto?.
Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite! Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é entretenimento. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres:
Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá! O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba, precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são
indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam “status” construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. 

Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico:
Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!" frei Beto